quarta-feira, 15 de março de 2017

Que alegria poder voltar aqui 50 dias após o parto dos meus gêmeos, para registrar momentos de intensa felicidade, correria e descobertas novas!
Quase dois meses já!
E vivemos tanta coisa desde que nasceram, que a impressão que tenho, é de que são uns seis meses já vividos!
A Maitezinha ficou 15 dias internada para o ganho de peso. O Luca veio comigo pra casa no dia da minha alta. 
Fiquei postergando essa alta, pois não queria deixar a Maitê no hospital. Não gosto de falar, nem lembrar do lado triste das coisas. Procuro sempre focar no que foi bom, mas não posso negar que esses 15 dias foram a melhor lição da minha vida! Lição de vida mesmo.
Conheci um lado da maternidade que raramente se escuta falar, raramente se vê. Convivi com mães de UTI e presenciei histórias tristíssimas. Entendi, com isso tudo, que ser mãe guerreira está além de ter um parto idealizado (como eu queria ter na segunda gestação, se fosse um bebê só), vi que a força de uma mãe está no que vem depois do parto.
Ir pra maternidade, ter o bebê, receber alta com ele, é tudo maravilhoso e vivi essa realidade com a Liz!
Mas foi importante viver outra experiência. Fui para o hospital, tive meus bebês e já na primeira noite, não dormi com nenhum. Uma das piores noites da minha vida.
Na segunda, recebi o Luca! =)
Na terceira, soube que a Maitê ficaria pelo menos uma semana na unidade prematuro do hospital...
E assim, foram mais 14 noites de incompletude, choro, sofrimento, saudade....cansaço emocional. 
Ficamos entre visitas à Maitê (três visitas por dia na maternidade), cuidados com o Luca em casa e atenção pra Liz, que precisou amadurecer uns bons anos durante esses dias.
Aos 4 anos, ela precisou compreender a ausência da irmãzinha, a minha ausência como mãe que precisei mergulhar no mundo do hospital - fora os cinco dias que fiquei lá com o Luca tentando trazer a Maitê conosco. Chegou uma hora que não dava mais para ficarmos lá, correndo riscos de doenças e distantes da Liz.
A cada visita na maternidade, uma dor, uma história, uma situação de insucesso da Maitê (não mamou, não aceitou, vomitou, chorou, etc...), a minha agonia como mãe, meu desespero....
E a minha intuição que ia contra tudo aquilo que diziam os médicos ( assunto para um próximo post)
Mas tudo passou! Viramos essa página, fizemos amigos - outros pais de UTI e unidade prema, pais de gêmeos também. e hoje estamos com a nossa família completa! Nós cinco!


A rotina não é nada fácil!
Vou precisar de alguns outros posts para contar tudo aqui.
Ser mãe de gêmeos.
Ser irmão de irmãos gêmeos - Liz
Ser pai de gêmeos - Luiz...
É bastante coisa para contar.

De um modo breve, para encerrar o dia de hoje - que começou às 5 da manhã e não teve pausas, rs...
Funciona assim.
Gêmeos são sintonizados, fato!
Portanto, fazem quase tudo juntos enquanto são bebês.
Mamam, choram, tomam banho, acordam juntos.
Quando não acontece assim, existe uma ansiedade muito grande da parte deles, as coisas ficam mais complicadas, embora gêmeos e tranquilidadee são palavras que não combinam, haha.
Juntos ou não, o mundo gemelar exige disponibilidade de 100% da mãe.
Quando termino de amamentar um, começo o outro. Quando termino o banho de um, inicio o outro...
Quando faço um dormir, o outro acorda...e assim vai acontecendo até que ambos cheguem num só ponto: objetivo de que ambos durmam bem alimentados e limpinhos. Para isso acontecer, gasto um tempo gigante.
São 3, 4 horas tentando estabelecer uma pausa. Porque a Maitê mama em 40 minutos, o que o Luca mama em 3 minutos! Então procuro fazê-lo esperar para dormir junto com ela...nem sempre dá certo.
Quando ela dorme (se ele já dormiu antes), logo ele acorda! 
Realmente é um trabalho que não tem fim!
Ficamos o dia inteiro na função, tentando achar tempo pra Liz.
Ter dois filhos traz suas dificuldades, torna a vida dos pais mais puxada, com certeza.
Mas ter três, e ainda mais dois ao mesmo tempo, é completamente diferente do que os pais de dois filhos estão acostumados a viver. Principalmente gêmeos e mais um. É uma dinâmica  muito trabalhosa pra dar conta! 
Eu tive 14 dias sendo mãe de dois em casa. Quando a Mai ainda estava no hospital, eram Liz e Luca.
E quando ele dormia e eu não precisava ainda estar na maternidade, meu tempo era pra Liz! E ele demorava a acordar. De madrugada, acordava uma ou duas vezes no máximo para mamar.
Sair com os dois era tranquilo. Colo para um, mãos para outro.
Banho da Liz era muito legal. Luca mamando e eu no banheiro com a Liz... 
Uma outra lição para mim, que Deus quis mostrar também foi essa, de que eu daria conta sim de ser mãe de três, de gêmeos! Por isso, Ele primeiro me mostrou como seria ter dois filhos de idades diferentes. Me deu esses 15 dias para eu ver e achar tudo muito tranquilo, sem os exageros como muitas mães têm, de reclamar da vida de mãe de dois. Vida esta,que eu reconheço que não seja fácil, não é moleza...claro! Não estou dizendo que é fichinha e que as mães de dois filhos não têm trabalho. Imagina!!
 Mas para mim, Renata, já estava predestinado ter meus três corpinhos, por isso, vi muita facilidade em ter dois. Assim como a mãe de dois vê muita facilidade em ter um!
Deus prepara cada mãe para o número de filhos que Ele mandar. É mágico!

Pois bem. Quando a Maitê chegou, pude comprovar tudo isso.
Vi que realmente Deus me deu uma missão árdua, pois não é  nada fácil ter gêmeos e mais uma. Mas eu dou conta! Ele me ensina a cada dia como devo fazer. Ele ensina todas as mães!! =) 
Quando o bebê da casa dorme, o filho mais velho tem atenção.
Quando o bebê gêmeo da casa dorme, o outro acorda e o mais velho vai aprendendo a ficar sozinho, tadinho!
A Liz é uma criança escolhida por Deus também, para ser irmã de gêmeos!
Aliás, hoje mais do que nunca, acredito nisso.
Como todas as pessoas me falam, em todos os lugares que vamos, somos muito abençoados!
Aonde quer que a gente vá (nós 5), chamamos atenção. Gêmeos param o shopping, hahahaha...
Minha mãe sempre disse isso, e é verdade! As pessoas se encantam, querem ver se parecem, perguntam se são uni, bivitelinos, se foi tratamento, de quantas semanas nasceram, hahaha...
Realmente, somos mesmos uma família abençoada!
Deus quando escolhe uma família, para receber bebês múltiplos,capacita cada um para assumir seu papel com grandeza, disposição e muita fortaleza.
Aprendemos a não dormir mais, a sermos dispostos o tempo inteiro e dividir nossa atenção em mil pedacinhos para marido, amigas, outros filhos, vida social...
Não tem pausa! Mas uma família que têm gêmeos, tem alegria, motivação e momentos perfeitos em dobro. Barulho também!
E a estrutura então...(em outro post falo disso).

Continuo numa próxima "minúscula" pausa que  tiver, depois que os três dormirem e eu não for dormir junto, rs...
É quase sempre assim. Eles dormem, eu durmo em seguida até que um deles acorde pouco tempo depois, rs!