segunda-feira, 21 de setembro de 2015




Transcende a psicologia!
Ser professora de criança é simplesmente lidar com todas as emoções e reações ao mesmo tempo!
É lidar com dúvidas, anseios, inseguranças, certezas, brincadeiras, machucados, dor de barriga, joelho sangrando, caca de nariz, com falas como "quem soltou um pum, ele não quer ser mais o meu amigo; ela me chamou de boba ; o que é pra fazer nessa tarefa (depois de explicar dezessete vezes); tô com tosse, tô triste, tô feliz, tô com fome, meu cachorro está doente, meu irmão me bateu , meu pai falou para minha avó que a Dilma rouba , minha mãe contou pra mim que o coelho da páscoa não existe , meu amigo está chorando porque contei isso pra ele..."
(e tantas, tantas coisas mais...)

Ser professora de criança é nunca conseguir sentar. É ficar em pé o tempo todo, atenta a tudo, dando conta de explicar novecentas vezes a mesma coisa, pedir capricho oitenta vezes, silêncio um milhão e meio de vezes, é vistar agendas, mandar recados, bilhetes, corrigir atividades e tudo isso junto com aquelas falas lá de cima. É ir fazendo tudo isso ao mesmo tempo que você escuta essas falas brilhantes e inocentes!! É preciso rapidez para escrever algo sério ou corrigir atentamente a atividade, enquanto se escuta que o "amigo o chamou de bobo, que o pé está doendo, que a mamãe mandou cookies de lanche..."
E o mais importante. Corrija, escreva, escute e responda!!! Tudo no mesmo minuto!!
Essa é só pra quem pode! hahahaha

Professora de criança fala a mesma pagina, dá a mesma bronca e faz a mesma atividade oitocentas e cinquenta e nove vezes. Perde a voz, perde a necessidade de sentar e fazer xixi , mas nunca perde a concentração. Se perder, perde-se uma aula toda de muito esforço.
Uma aula de cinquenta minutos, funciona assim: dez minutos de chegada - organizar lugares, separar quem conversa muito com quem, cantar, motivar, entusiasmar, ter a atenção plena da sala.
Dez minutos de explicação da atividade, levando em conta que você explica mesmo em três. Mas sete, são as perguntas frequentes :"não entendi, o que é pra fazer".
Vinte minutos são para a execução da atividade.Mas são vinte minutos com as falas lá de cima , de novo, mais as dúvidas, mais as idas ao banheiro, mais os passeios que as crianças adoram fazer para pedir material do amigo emprestado, as idas até a professora à toa (isso tudo quando a professora está mais liberal), quando não, é o tempo todo falando :"vamos sentar, vamos trabalhar, volta para  seu lugar, olha a conversa, vamos parar de falar, cadê a concentração, não quero mais chamar a atenção...e etc, etc, etc"
E falamos isso, ao mesmo tempo que estamos naquela sequência: corrigindo, escrevendo, escutando e respondendo! Mais uma! hahahhaha
Dez minutos finais são apenas para organizar o material - fechar livros, arrumar estojo, guardar tarefas, manter os lugares limpos e arrumados - montessori e cantar uma música de despedida.
São os cinquenta minutos mais rápidos e difíceis do mundo!
Naqueles vinte, a professora busca o silêncio absoluto, a concentração completa e até chega a existir picos de "aula ideal", mas logo a necessidade de uma criança especial fala mais alto, logo um amigo fala algo fora do assunto da aula, logo uma criança tira a atenção da outra, logo o estojo que cai no chão - e ele cai TODOS OS DIAS, hahahaha- faz a sala toda se agitar.
É como apagar um incêndio aqui e falar "ufa", mas em fração de segundos, outro incêndio acontece a dois passos de você, e outro, e outro, e todos! Haja água! kkkkk

Tem tudo isso, junto com todas as cartinhas sinceras de amor das crianças, os olhares apaixonados, a admiração, a inocência, os pensamentos puros, a energia, que é muita, mas mantém a gente sempre jovem e perspicaz.
Crianças trazem com elas, um espírito leve, que dá justamente a leveza à vida de uma professora que precisa ter toda essa dificuldade da dinâmica da sala de aula, mas que tem a recompensa da alegria do sorriso de um infante!
Temos a graça - nós, professoras de crianças, de estarmos rodeadas de anjos, onde não existem injustiça, inveja, rancor, maldade, falsidade, competição...
Elas simplesmente vêm de alma e coração para nos ensinar, mais do que aprender!!

É realmente o amor por tudo isso que leva alguém a entrar e continuar nessa atuação dificílima.
Porque o amor traz a resposta. Apesar de difícil, é recompensador!
Não há distâncias físicas e emocionais, não há barreiras humanas quando se é professor de criança por escolha!!!
E não é só o ensinar aquilo que já está nas linhas de cada livro!
Mas o educar para amar! Amar ao educar!
Isso se chama VOCAÇÃO!
É algo para poucos!

Obrigada meu Deus, por eu ser vocacionada!!

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