terça-feira, 29 de setembro de 2015

Rubem Alves - A Escola Ideal - o papel do professor




Dias depois de ter escrito esse post aí debaixo, tivemos um curso importantíssimo na escola, com a Talita, que estendeu as minhas palavras sobre a "vocação". Nem acredite, ao reler meu blog! Foi a confirmação do que eu senti no dia que sentei para escrever o que o meu coração pediu!
E ainda por cima, ela  nos deixou esse trecho de falas riquíssimas do saudoso Rubem Alves, que também falou coisas que pensei e escrevi ali.
Satisfação!!!


segunda-feira, 21 de setembro de 2015




Transcende a psicologia!
Ser professora de criança é simplesmente lidar com todas as emoções e reações ao mesmo tempo!
É lidar com dúvidas, anseios, inseguranças, certezas, brincadeiras, machucados, dor de barriga, joelho sangrando, caca de nariz, com falas como "quem soltou um pum, ele não quer ser mais o meu amigo; ela me chamou de boba ; o que é pra fazer nessa tarefa (depois de explicar dezessete vezes); tô com tosse, tô triste, tô feliz, tô com fome, meu cachorro está doente, meu irmão me bateu , meu pai falou para minha avó que a Dilma rouba , minha mãe contou pra mim que o coelho da páscoa não existe , meu amigo está chorando porque contei isso pra ele..."
(e tantas, tantas coisas mais...)

Ser professora de criança é nunca conseguir sentar. É ficar em pé o tempo todo, atenta a tudo, dando conta de explicar novecentas vezes a mesma coisa, pedir capricho oitenta vezes, silêncio um milhão e meio de vezes, é vistar agendas, mandar recados, bilhetes, corrigir atividades e tudo isso junto com aquelas falas lá de cima. É ir fazendo tudo isso ao mesmo tempo que você escuta essas falas brilhantes e inocentes!! É preciso rapidez para escrever algo sério ou corrigir atentamente a atividade, enquanto se escuta que o "amigo o chamou de bobo, que o pé está doendo, que a mamãe mandou cookies de lanche..."
E o mais importante. Corrija, escreva, escute e responda!!! Tudo no mesmo minuto!!
Essa é só pra quem pode! hahahaha

Professora de criança fala a mesma pagina, dá a mesma bronca e faz a mesma atividade oitocentas e cinquenta e nove vezes. Perde a voz, perde a necessidade de sentar e fazer xixi , mas nunca perde a concentração. Se perder, perde-se uma aula toda de muito esforço.
Uma aula de cinquenta minutos, funciona assim: dez minutos de chegada - organizar lugares, separar quem conversa muito com quem, cantar, motivar, entusiasmar, ter a atenção plena da sala.
Dez minutos de explicação da atividade, levando em conta que você explica mesmo em três. Mas sete, são as perguntas frequentes :"não entendi, o que é pra fazer".
Vinte minutos são para a execução da atividade.Mas são vinte minutos com as falas lá de cima , de novo, mais as dúvidas, mais as idas ao banheiro, mais os passeios que as crianças adoram fazer para pedir material do amigo emprestado, as idas até a professora à toa (isso tudo quando a professora está mais liberal), quando não, é o tempo todo falando :"vamos sentar, vamos trabalhar, volta para  seu lugar, olha a conversa, vamos parar de falar, cadê a concentração, não quero mais chamar a atenção...e etc, etc, etc"
E falamos isso, ao mesmo tempo que estamos naquela sequência: corrigindo, escrevendo, escutando e respondendo! Mais uma! hahahhaha
Dez minutos finais são apenas para organizar o material - fechar livros, arrumar estojo, guardar tarefas, manter os lugares limpos e arrumados - montessori e cantar uma música de despedida.
São os cinquenta minutos mais rápidos e difíceis do mundo!
Naqueles vinte, a professora busca o silêncio absoluto, a concentração completa e até chega a existir picos de "aula ideal", mas logo a necessidade de uma criança especial fala mais alto, logo um amigo fala algo fora do assunto da aula, logo uma criança tira a atenção da outra, logo o estojo que cai no chão - e ele cai TODOS OS DIAS, hahahaha- faz a sala toda se agitar.
É como apagar um incêndio aqui e falar "ufa", mas em fração de segundos, outro incêndio acontece a dois passos de você, e outro, e outro, e todos! Haja água! kkkkk

Tem tudo isso, junto com todas as cartinhas sinceras de amor das crianças, os olhares apaixonados, a admiração, a inocência, os pensamentos puros, a energia, que é muita, mas mantém a gente sempre jovem e perspicaz.
Crianças trazem com elas, um espírito leve, que dá justamente a leveza à vida de uma professora que precisa ter toda essa dificuldade da dinâmica da sala de aula, mas que tem a recompensa da alegria do sorriso de um infante!
Temos a graça - nós, professoras de crianças, de estarmos rodeadas de anjos, onde não existem injustiça, inveja, rancor, maldade, falsidade, competição...
Elas simplesmente vêm de alma e coração para nos ensinar, mais do que aprender!!

É realmente o amor por tudo isso que leva alguém a entrar e continuar nessa atuação dificílima.
Porque o amor traz a resposta. Apesar de difícil, é recompensador!
Não há distâncias físicas e emocionais, não há barreiras humanas quando se é professor de criança por escolha!!!
E não é só o ensinar aquilo que já está nas linhas de cada livro!
Mas o educar para amar! Amar ao educar!
Isso se chama VOCAÇÃO!
É algo para poucos!

Obrigada meu Deus, por eu ser vocacionada!!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015



Se eu tivesse que sintetizar em uma só palavra tudo o que senti hoje, a palavra seria plenitude.
Foi um dia pleno de alegrias e encontros fantásticos.
Pleno de vida.
Pleno de amor.
Pleno de abraços, beijos e carinho.
Comecei o dia ao lado da Rô, fazendo reunião de trabalho e ali mesmo, pude sentir a  plenitude da nossa incrível parceria. Sinto isso todos os dias, mas é a cada "evento" da escola(uma reunião, uma apresentação, um curso) que eu consigo ter a profundidade dessa amizade que faz de nós duas, uma só dentro do trabalho. Afinidade e cumplicidade absolutas!
Logo depois tivemos cinco minutos de um feliz momento, esbarrando na Bi, dentro do colégio. Beijinhos, cheirinhos, grudinhos nos corpinhos, foto e bye-bye! (Que pena que é preciso dar bye-bye)

À tarde foi um sonho, reencontrar a Fabi GRÁVIDA de dez semanas. Ver nos olhinhos dela a alegria em gestar, as expectativas de esperar...
Ver uma amiga grávida não tem preço! É felicidade inenarrável.
E foi delicioso ficarmos eu, ela e a Rô, tomada pelas crianças, num clima de agito e euforia!
A Fazinha será uma mãe maravilhosa!!!

No fim do dia, ainda recebemos a graça de poder ver a Cá, o Dudu e o Dan!!!
Que satisfação, meu Deus!!! Nem acredito ainda que pudemos nos reencontrar, em minutos de muito amor e comunhão!
Vieram cansados, exaustos, mas fizeram questão de vir!!
Como eu poderia agradecer esse dia, tão iluminado? Tão pleno de momentos de emoção...
Picos de felicidade, explosão de energia, fusão de amor com saudade, encontro e despedida!!
Ah, quanta vida num só dia!!!
Obrigada a vocês todas: Cá, Rô, Fá, Bi...por proporcionarem ao meu dia e ao da Liz, um dia mais colorido, um dia especial...um dia PLENO!
Na oração da noite, que fiz agora pouco com a Lilizoca, durante os agradecimentos, ela disse:
- Obigada Jesus, porque o meu dia foi divetido e meus amigos vieram na minha casa."
Aí complementei: e as amigas da mamãe também.
Liz: as amigax da mamãe também e o bebê da barriga!!
Ownnnnnn!!!!

Obrigada, Senhor Deus!
Obrigada por confiar a mim, essas ilustres e perfeitas amigas.
Amo vocês, PTKS!!!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015





Foi da noite para o dia, sem o menor esforço ou sem que eu tivesse tocado no assunto.
Simples assim, a Liz não quis mais a mamadeira.
Eu não tinha ainda começado o processo de desmamar porque não consigo enxergar malefícios na pobre da mamadeira. Pelo contrário. A sensação de "mamar", me traz aconchego, acolhimento, relaxamento,gratidão pelo alimento. Um bebê ou uma criança que mama, faz isso com tanta vontade e felicidade que é impossível encarar a cena como algo ruim. 
A questão da idade também é outro fato, que assumidamente não encontro dificuldades. Claro que uma criança de oito, dez anos que mama(o que hoje é raro), não é uma coisa clara, para mim. Não consigo compreender porque nessa idade, a criança ainda não se desvinculou da mamadeira. Seus interesses são outros nessa fase.
Mas condenar a criança de quatro, cinco anos que ainda mama é um pouco de exagero.
Os danos que a mamadeira causa aos dentes, mordida, etc, isso já é outra questão também. É a tal da "relatividade". Conheço quem nunca mamou, nem usou chupeta e usou aparelhos. E o contrário também. Mas é logico. Não sou eu quem vai dizer que mamar por muito tempo é lindo, saudável e necessário. Eu só acho que existem diversos hábitos realmente ruins e danosos à vidinha de uma criança. Mamar é tão de menos... 
Mas...ainda que eu seja relax para esse assunto do mamar, minha filha tomou sua decisão sozinha, aos dois anos e sete!
Da noite para o dia, quando preparei uma mamadeira, ela disse: "Quero leite com chocolate no copo."
Ela dava, de vez em quando, umas goladinhas do meu leite (porque eu AMO leite e toda hora tomo um copo, hahaha), mas nunca quis substituir a mamadeira de fórmula, por leite de vaca com toddy- que é o achocolatado que eu mais gosto.
Não recusei e fiz o que ela pediu. Assim foi na hora de dormir, no dia seguinte, no outro e no outro.
Virou uma vida nova! O copo em si,é o de menos. E olha que ainda corri para comprar copos legais para ela tomar o seu leitinho. Mas foi em vão, porque cada dia, pode ser num copo diferente, com, sem canudo, aberto, fechado, de criança, de "adutu", tanto faz! O que vai dentro desse copo é o que importa. Um leite geladinho com uma colher de toddy! Hummmmm....
A chupeta, não contei por aqui. 
Mas também foi outra questão muito tranquila, que não levaram três dias!
A escola pediu que as crianças pudessem voltar  das férias, desapegadas da pepê.
Fiz meu trabalho em um dia e funcionou demais! Foi uma despedida sem choro, sem dramas, sem fadiga! Aos 2 anos e 5 meses. 
Então, acabaram-se os bicos de casa! 
Acabou-se a última gota da bebê que ainda me restava.
Agora é de fato, uma criança que toma decisões definitivas!
(Respire fundo, Renata!)