quarta-feira, 29 de agosto de 2012


Ser mãe de menina


O texto de hoje começa com um pedido de desculpas (que, na verdade, está mais para um pedido de licença) às mães de meninos. Certamente há quem discorde de mim – ainda bem! – mas não há presente maior para uma mulher do que poder gerar e conviver pelo resto da vida com uma filha, uma menina.
Cresci com uma irmã e sempre tive curiosidade em saber como seria nossa vida, nossa casa, com a presença de um menino por perto. Os gostos, as manias, as qualidades, os defeitos, a relação com a família e com as responsabilidades, tudo seria muito diferente do que eu já estava acostumada. Por isso também nutria uma vontade interessante de ser mãe de um menino – era um universo com o qual eu não estava familiarizada, era emocionante a ideia de ajudar a formar para o mundo homens mais sensíveis, companheiros, responsáveis, maduros, menos mimados...
Mas, depois de já adulta, comecei a perceber que a relação que eu e a minha irmã Mariana tínhamos com a nossa mãe era tão interessante e única que passei a sonhar com a repetição dessa história nas novas gerações. A ideia de gerar outra mulher, de conquistar uma companheira e, mais do que isso, de garantir a mais uma forte presença feminina em nossa família passou a ser cada vez mais frequente nos meus sonhos. Nada que se resuma a brincar de boneca – escolher vestidinho, montar um enxoval cor de rosa etc – mas que inclui tudo isso também!
Quando engravidei, em 2009, tentava disfarçar meu desejo escancarado por ter uma bebê. Fiz o exame de sangue, não aguentei esperar pelo ultrassom, e a confirmação do sexo feminino me deixou tão entusiasmada que eu não conseguia verbalizar tanta felicidade. Demorei semanas para me dar conta de que, sim, era mesmo a Valentina que estava chegando...
O fato é que ser mãe de menina tem um lado que é tão natural, tão confortável, o que faz tudo fluir muito mais tranquilamente. As mulheres, desde muito criancinhas, já são genuinamente responsáveis, carinhosas, atenciosas, concentradas, organizadas e muito mais tranquilas. Salvo as exceções, obviamente, que só confirmam a regra. O lado B dessa história é que nossa responsabilidade enquanto mãe de menina é ainda maior, já que as primeiras grandes crises chegam tão cedo, lá pelos 10 ou 11 anos, tão logo aparece a primeira menstruação. Também demanda um cuidado maior: como não transferir para a filha todas as nossas expectativas, frustrações e desejos enquanto mulheres? Como fazer com que ela não absorva todos os conflitos familiares, as questões conjugais e até profissionais dos próprios pais? Soube pela pediatra da Valentina, que também é psicóloga, que o processo de desmame das bebês meninas pode influenciar na própria relação delas com a amamentação quando se tornarem mães. Nessa hora também temos que levar em consideração a feminilidade...
Não tenho a menor vocação para o feminismo, tampouco acho saudável forçar a defesa das questões de gênero em toda e qualquer ocasião. Mas é encantador ver meninas crescerem e já demonstrarem características tão latentes na vida das mulheres. Vejo isso claramente hoje com as minhas sobrinhas e com a minha filha. Noutro dia, a Laura, de 4 anos, pedia para eu dar um recado à Valentina, que estava com pneumonia: “Tia, está todo mundo doente. Todo mundo está tossindo, eu mesma acabei de tossir!”. E este é só um exemplo da sensibilidade dela em saber consolar, demonstrar preocupação, de forma tão articulada. As demonstrações de carinho da Luiza, de 2 anos, com a Valentina, de 1 ano e 8 meses, também me comovem. Do mesmo jeito que fico diariamente impressionada com a capacidade de observação da minha filha e do cuidado que ela tem em lembrar das pessoas que gosta, o tempo todo.
Espero, sinceramente, ainda gerar e criar um menino. E de descobrir as belezas e as singularidades da relação entre um homem e uma mulher como filho e mãe. Enquanto isso, continuo entregue à missão de ajudar a construir uma mulher que já vem me surpreendendo a cada dia pela incrível capacidade de ser companheira, presente, fiel e muito sensível.
Luanda Nera, Revista Pais e Filhos.

2 comentários:

Renata G.F. Scarpino disse...

Que texto mais fofo!!!
Dá vontade de ter só menininhas...
=)))

marisa disse...

Linda.
Toda empolgada em ser mãe de menina né?
É assim mesmo. As mulheres sonham com essa delicia de ter uma menina. Desde crianças a gente brinca de bonecas e não bonecos. É instintivo mesmo.
Sou grata a Deus por ter me dado duas bonecas.
Os meninos devem ser um outro tipo de encanto, mas sinceramente nunca desejei ter um menino. Não saberia ser mãe de um. Não teria jeito com eles.
Re pode ter ctza que a Liz realizará sua vida para sempre, a ponto até de vc pensar se realmente quer outro filho.
As meninas nos preenchem, nos realizam de uma maneira que não desejamos mais nada.
Embora eu ache que vc só terá meninas, s etiver mais de uma...
É sua cara seu jeito...........
Como será linda essa menina meu Deus!!!!!!

Bjs.