terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


Trabalhar com criança é uma delícia, mas não é fácil.
Educar apenas uma já é uma tarefa complicada. Imagine só educar seiscentas. 
Tenho descoberto muitas coisas nessa experiência incrível de entender o meu papel na sala de aula. O espaço físico é apenas uma sala, mas o espaço psicológico que ocupo na vida de cada criança é incalculável.
Uma palavra que digo ( e todos os educadores) representa quase que um universo na cabeça de um pequeno.
Professora de inglês, para essa faixa etária com a qual estou trabalhando - dos cinco aos dez anos- é alguém que entra na classe para divertir, apresentar o novo, levar a alegria (segunda língua nessa fase é descoberta, é prazer, euforia...), mas entendi que muito mais que ensinar a base do inglês, estou ali para reforçar o que cada educadora faz com sua turma. Sou um exemplo a ser seguido, uma voz a ser ouvida atentamente, uma adulta que sabe até mais que seus próprios pais, na visão deles.
Se em casa, um pai deixa seu filho acordar 12h, almoçar depressa para estar na escola 12h50, na sala de aula, o educador vai reprovar essa conduta e mostrar o caminho certo: levantar cedo, tomar café, fazer tarefa, praticar atividade física, almoçar e então ir à escola. É por isso que muitos alunos (a grande maioria) tem essa visão do professor: mais sábio e mais coerente que seus próprios pais!!
Criança gosta de limites e regras! É isso que papais e mamães ainda não entendem e têm medo... =(
Tenho aprendido que de fato, remédios na infância não são necessários, mesmo que o psicólogo ache recomendável - mas longe de mim discutir a visão do psicólogo. Cada profissional com a sua solução. Observo já nesse início de prática pedagógica que o diálogo, o olhar nos olhos, o transmitir a confiança à criança, o abraçar com segurança, o cuidado para não comparar, cobrar, forçar, assustar e etc são a melhor forma de obter resultados positivos no desenvolvimento psicomotor de um criança.
Quantos pais colocam na lancheira, isso mesmo, na lancheira, o lanche, o suco e o remédio para a cabeça...
Pra quê???
Que pressa é essa de querer resolver um conflito normal da fase infantil à base de remédios?
É isso também que estou aprendendo...a ver a pressa como atitude ignorante. O engano de muitos pais que nós podemos corrigir, orientar. Estamos ali pra isso: para orientar a educação de crianças e por que não de seus pais? 
(Mas não estou dizendo que são todos e nem que os que cometem esses enganos são maus pais. Estão apenas desesperados...e isso preocupa não só a eles mesmos, como a nós, que somos sua extensão na escola...)
Aprendo no dia-a-dia que os próprios pais buscam na gente, ajuda, socorro, conselhos e muitos pedem para que nós  conversemos com seus filhos porque eles não sabem de que  maneira fazê-lo.
É tão gratificante quando conseguimos estabelecer entre pais e filhos uma relação de confiança, paciência, admiração. E não nos sentimos melhores e/ou superiores por isso. De forma alguma!
A gente se sente servindo a Deus em todas as coisas! Porque afinal Deus nos escolheu, os que trabalham com educação, para sermos essa ponte que liga o pai ao filho, que ajuda o amor acontecer ou renascer, que transforma relações...a ponte pedagógica, que a gente denomina!
Tenho aprendido que fomos designados a preparar vidas, modificando-as!
Mas o mais bonito disso tudo é que a gente acaba transformando e sendo transformado!
Nenhum de nós, educadores por escolha e paixão, sai no final do dia da escola, a mesma pessoa que entrou.
Saímos renovados, modificados também. Saímos pessoas melhores, mais capazes de amar ao próximo e se colocar no lugar do outro, ter a visão de cada um, em seu papel (pais, colegas, crianças, psicólogos, diretores, coordenadores, etc) e assim poder compreender e colaborar, longe, muito longe de julgar as atitudes alheias. Estamos ali para fazer parte delas, tentando sempre acertar!
Na verdade, quando saímos da escola no final de cada dia, saímos seres verdadeiramente humanos!!
Essa é a verdade!
=)


Um comentário:

Marisa disse...

Rê!!!
Já felie isso mil vezes, mais volto a repetir...vc nasceu pra ser mãe!!!
Mas uma mãe diferente...mãe educadora mesmo. Esses pensamentos, essa aptdão, esse talento...essa vocação...são mesmo de Deus!!!
Cadê a penca de filhos pra vc educar assim??
Sua lindaaaa!!!!!!!!
bjos!!!
Fiquei emocionada com esse posti.