segunda-feira, 28 de junho de 2010


Eles, Os dois, Cada um.

Os dois eram um só , dissolvidos num capítulo de livro.
Eram dois, mergulhados no oceano, quando ela escreveu seus nomes e jogou o bilhete nas águas.
Eram sonho, ilusão, desejo, plural - pensava nele e ele pensava nela -e foram singular quando não podiam juntos estar. Sempre à espera de um dia que nunca se fazia chegar.
Eram os mesmos desde que beijaram-se pela última vez. Nunca mudou o que marcou aquele último dia, que não sabia que era o último...
Eram dois corações que de repente haviam se apaixonado e imediatamente foram separados por uma distância tão longa, metaforicamente, quanto os cabelos dela...
Os cabelos ela não queria cortar, mas o caminho vivia a tentar diminuir...sempre frustrante em suas tentativas.
Ele mantinha o pensamento vívido, mas a presença sempre adormecida. O tempo lhe faltava ou lhe escorria pelos dedos, de uma maneira que talvez não soubesse perceber...
Quanta vontade de recomeçar...
Quantos dias pesados, sem expectativas - ela.
Quantos dias corridos, sem reparar que aos poucos ele a perdia...
Quanto tempo esperando um milagre -ela.
Quanto tempo esperando um tempo - ele.
Quanta vontade de mostrar que o tempo não podia ser razão-ela.
Quanta vontade que nunca externava do corpo-ele.
Quanta saudade -eles, os dois, plural.
Quanto medo de dizer adeus, ainda trazendo dentro de si, um forte sentimento -ela.
Quanto risco desse adeus chegar, sem poder fazer nada - ele.
Quantos sinais dados pedindo o mínimo de cuidado- ela
Quanta desatenção - ele.
Quantos detalhes pensados, sonhados, preservados- ela.
Quantos detalhes deixados para lá - ele.
Quantos dias de pensamentos...- eles...

E hoje, quanta falta fazem - eles, os dois, plural.
Mas sem saber que agora são: ele de um lado; ela do outro, cada um num plano singular, separados...

Rê G.F


Um comentário:

Leticia disse...

triste
=(